biblioteca Mário de Andrade: travessia 2025
Com o ciclo 2025 da M.A.L.A. concluído, nossa última parada aconteceu em São Paulo, na Biblioteca Mário de Andrade, instituição histórica que, em 2025, celebrou seu centenário. Encerrar a temporada ali ampliou o sentido do percurso, aproximando nossa trajetória da própria história cultural da cidade.
A exposição “travessia” marcou também o fim do nosso percurso entre Brasil | França, reunindo não apenas os livros apresentados em Paris, mas também obras de artistas franceses que viajaram conosco e ampliaram o diálogo entre as duas culturas. Foi um encontro de gestos, geografias e temporalidades.
As nossas primeiras conversas nasceram no início do ano, quando houve uma sinergia especial entre a M.A.L.A. e a equipe de obras raras da Biblioteca. Esse ambiente de colaboração reforçou ainda mais nosso desejo de estabelecer conexões duradouras.
Nas trocas que se seguiram, fomos lembrados de como os livros de artista franceses tiveram papel decisivo na formação do acervo institucional, especialmente durante a gestão de Sérgio Milliet. Seu trabalho, profundamente ligado à cena artística francesa do pós-guerra e fundamental para a criação do que viria a ser o Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM), ajudou a construir a ponte que hoje reconhecemos entre São Paulo e a experimentação gráfica europeia. Foi com emoção que percebemos que nossa exposição se inseria nesse fluxo histórico.
A coincidência de datas reforçou ainda mais essa conexão: enquanto “travessia” ocupou o terceiro andar da Biblioteca, acontecia simultaneamente a mostra “Do Livro ao Museu”, dedicada justamente a revisitar a formação do acervo artístico do MAM e suas raízes internacionais. Dois eventos paralelos que pareciam conversar e se espelhar.
Depois de uma residência de dez meses, das duas exposições em Paris, das visitas técnicas às bibliotecas francesas e dos encontros que ampliaram nosso repertório, encerrar o percurso na maior e mais relevante biblioteca pública de São Paulo ofereceu a sensação de retorno e de pertencimento. Um ciclo que se fechou abrindo novos caminhos.
Para a expografia, contamos com a colaboração do artista e designer Claudio Rocha, que trouxe ao espaço expositivo um acolhimento aos livros e dialogou com o conjunto dos trabalhos.
E assim terminou a nossa travessia: costurada por histórias, afetos, deslocamentos e pela certeza de que cultivar pontes entre pessoas, países e olhares é sempre um gesto de cuidado e respeito.
Encerrar essa etapa na Biblioteca Mário de Andrade, em plena Temporada França-Brasil, foi para nós uma honra e um símbolo perfeito do espírito que guiou todo o projeto: abrir caminhos, cruzar fronteiras e seguir cultivando encontros.






