artistas e livros, andarilhos pela própria natureza(Paulo Silveira)

Para muitos brasileiros envolvidos com a imagem e a cultura, é provável que desde os bancos escolares a figura do personagem histórico do artista viajante tenha permanecido viva na memória. No meu caso, durante a adolescência, essa figura humana surgiu na sala de aula como algo fascinante, e assim tem se mantido até o presente. Tratava-se de um artista estrangeiro, geralmente europeu, ilustrador qualificado, que abandona o conforto doméstico para se aventurar na longa travessia do Oceano Atlântico. Aqui chegando, registrava em desenhos nossa geografia, fauna, flora, etnias e o que mais fosse do interesse de reportagens visuais de então, e hoje indispensáveis
M.A.L.A 2025
Há caminhos que não se medem em quilômetros, mas em deslocamentos internos. Travessias que não começam quando os pés se movem, e sim quando alguma coisa dentro de nós decide sair do lugar.
Vivemos tempos apressados, que preferem atalhos a processos, respostas rápidas a perguntas amadurecidas. Mas a travessia, essa de que falamos aqui, não se fez em velocidade. Ela demandou outro tipo de tempo, outro tipo de presença. Uma escuta que não teme o silêncio. Um olhar que não recua diante da densidade do que encontrou.
Cada artista que chegou até aqui trouxe a sua própria paisagem íntima: territórios de dúvida, de tentativa, de descoberta. E foi nesse interior que a travessia aconteceu primeiro, antes de qualquer dobra do papel, antes de qualquer gesto gráfico, antes mesmo de nomearmos o que estávamos buscando. Foi um movimento que tateou o que ainda não existia, abrindo passagem onde não havia caminho.
A travessia também foi um exercício de convivência com o inacabado. Exigiu aceitar o que cria dúvida, o que hesita, o que não se resolve logo. Exigiu cuidar do que desponta devagar. Exigiu companhia: pessoas, livros, conversas, trocas que nos estenderam a mão quando não sabíamos muito bem para onde ir.
No fundo, cada livro criado aqui foi um mapa singular desse percurso. Não uma rota fixa, mas um vestígio: marcas do que foi necessário atravessar para que a obra encontrasse sua forma.
E talvez tenha sido isso o mais bonito: perceber que a travessia não terminou no objeto. Ela continuou no olhar de quem o folheou, nos diálogos que convocou, nas conexões que só se revelaram com o tempo. Travessia foi e sempre será movimento, mesmo quando parece pausa. Foi troca. Foi abertura. Foi uma forma de seguir adiante sem perder a profundidade do que nos faz humanos.
2025 também marcou um forte engajamento dos artistas. Muitos acompanharam os livros durante a sua jornada em Paris, outros tantos estiveram envolvidos na feira do livro, na montagem das exposições, nos registros fotográficos dos livros e das exposições. Os artistas se aproximaram mais das orientadoras e entre si e esta travessia fortaleceu laços trazendo um espírito de coletividade.
orientadoras

Chica Boyriven – artista plástica

Estela Vilela – Encadernadora

Liliana Pardini – escritora

Monique Allain – artista plástica
artistas 2025
artistas franceses convidados 2025
andanças da MALA
- semana de imersãoEm 2025, a M.A.L.A. começou com uma imersão presencial. Durante cinco dias, criamos um território comum onde o tempo desacelerou e o livro de artista pôde ser experienciado em sua materialidade: o peso das folhas, a direção das fibras do papel, as superfícies que respondem de maneiras distintas a cada gesto.saiba mais
- feira do livro | PacaembuEm junho participamos da Feira do Livro do Pacaembu em São Paulo. Oferecemos oficinas abertas de encadernação e experimentações gráficas para adultos e crianças e, tivemos uma mesa expositiva onde apresentamos nossos processos.saiba mais
- exposição | Enseigne des Oudin | ParisPrimeira exposição da Mala: Na galeria Enseigne des Oudin, que conta com uma curadoria ousada e independente, apresentamos nossos trabalhos, integrando a exposição 300 livres d’artiste, uma mostra que articulou diferentes perspectivas sobre o livro de artista.saiba mais
- exposição | Médiathèque Marguerite Duras | ParisSegunda exposição em Paris: Médiathèque Marguerite Duras, um espaço essencial para a preservação e difusão da produção literária, com ênfase em autoras mulheres, a valorização de livros de artista e de publicações experimentais.saiba mais
- visitas aos acervos | ParisDurante nossa temporada em Paris, entraramos em contato direto com obras fundamentais do livro de artista em algumas das mais importantes bibliotecas francesas: Bibliothèque nationale de France (BnF), Biblioteca Forney, e os acervos da Médiathèque Marguerite Duras e da Enseigne des Oudin.saiba mais
- exposição | Biblioteca Mário de Andrade | São PauloNossa última exposição aconteceu em São Paulo, na Biblioteca Mário de Andrade. A exposição “travessia” marcou o fim do nosso percurso entre Brasil | França, reunindo os livros apresentados em Paris, e obras de artistas franceses que viajaram conosco. Foi um encontro de gestos, geografias e temporalidades.saiba mais
































































