semana de imersão 2025
Em 2025, a M.A.L.A. começou com uma imersão presencial que foi o verdadeiro marco inicial da nossa travessia. Durante cinco dias, criamos um território comum onde o tempo desacelerou e o livro de artista pôde ser experienciado em sua materialidade: o peso das folhas, a direção das fibras do papel, as superfícies que respondem de maneiras distintas a cada gesto.
Logo nos primeiros encontros, fomos guiados por Andrea Thomazella, que nos convidou a olhar para o “livro antes do livro”, o gesto que antecede a forma. Com ela, trabalhamos estêncil, produzimos grafismos e experimentamos modos de marcar o papel sem ainda exigir dele uma estrutura final. Era um exercício de liberdade, ver como a imagem pode anteceder a intenção, como a materialidade propõe caminhos que não imaginávamos. A partir dessa investigação inicial, avançamos para as estruturas dos à dos, onde entendemos como o diálogo entre páginas nasce, muitas vezes, da própria lógica de montagem.
Em seguida, com André Hellmeister, mergulhamos nas possibilidades narrativas da colagem. Entre papéis, recortes, sobreposições e contrastes, percebemos como o gesto de escolher e combinar já é, por si, uma forma de pensar. A partir dessas experiências, partimos para a estrutura yamato toji, reforçando a delicadeza das costuras, a precisão dos alinhamentos e o diálogo entre imagem e ritmo.
Sob a orientação de Estela Vilela, ao longo da semana fomos estimulados a perceber as volumetrias que emergem da encadernação: o direcionamento da fibra do papel, a atenção ao sentido do corte, o cuidado nas dobras e vincos. Estela nos guiou pelas estruturas que atravessariam toda a residência, ajudando cada participante a entender o que seu próprio processo pedia, solidez, leveza, torção, costura etc., transformando técnicas em caminhos possíveis.
Na sequência, entramos no universo cromático de Claudio Rocha, que nos levou a explorar o nanquim como matéria viva, sujeito a acidentes férteis e variações inesperadas. Seus exercícios de cor abriram espaço para entendermos que cada tonalidade tem uma respiração própria, e que o acaso é também um aliado na construção do livro de artista. Foi com ele que desenvolvemos o dragon scale bookbinding, uma estrutura que, por si só, já insinua movimento e articulação volumétrica sofisticada.
Ao final da semana, percebemos que a imersão tinha sido mais do que uma série de técnicas. Ela havia criado um terreno fértil. Entre conversas, experimentações e processos, formou-se uma certa cumplicidade entre o grupo. Ali se plantou tudo o que floresceria nos meses seguintes: os encontros online, as descobertas solitárias, os erros férteis, as travessias individuais que, somadas, deram corpo aos trabalhos que viriam a ser expostos ao longo do segundo semestre
Professores convidados na edição 2025



um pouco mais sobre a imersão 2025
André Hellmeister é artista visual, diretor de arte, designer gráfico e publicitário. Atuou em diversas agências do país trabalhando para várias marcas. Desenvolve projetos de identidade visual, projetos culturais, design editorial, soluções visuais e artísticas.
Entusiasta da tipografia e da colagem, conhecedor do trato com papel e tinta, amante de gráficas e processos gráficos. Como palestrante, realiza workshops e oficinas de treinamento tendo a técnica da colagem e a tipografia como formas de expressão artística.
Andrea Thomazella é artista visual, graduada na Universidade de São Paulo (1982), mestrado e doutorado em Poéticas Visuais pelo Instituto de Artes da Universidade de Campinas, SP, (2015, 2022). Desenvolve pesquisas com livros de artista, pintura, desenho e gravura.
Claudio Rocha (A.K.A. Active Principle), é um artista visual terráqueo, envolvido com a arqueologia de imagens e seduzido pelas cores, pela computação gráfica e, naturalmente, pelo acaso… Aparentemente, sua curiosidade não tem limites formais, figurando o mundo de maneira sutilmente abstrata, mas apenas quando consegue abstrair a concretude das figuras. A partir de um contato inevitável com o inconsciente coletivo, expõe suas sensações por meio de criações deliberadamente evocativas.


















