semana de imersão 2026

visita do Paulo Silveira

A semana de imersão de 2026 começou com uma novidade: a vinda do Prof. Paulo Silveira, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, para uma palestra sobre livros de artista na Biblioteca Mário de Andrade seguida de visita à exposição travessia de 2025. Na parte da manhã conhecemos alguns dos livros de artista da biblioteca, junto com diretora da seção de obras raras, Joana Andrade. Foi um início promissor para a semana de imersão e da residência.

o desenho da letra

A semana se estruturou a partir do gesto: o motus do desenho da letra como fio condutor. Mais do que pensar a escrita como linguagem codificada, interessou-nos o movimento que a origina: o traço, o ritmo, a pressão, a continuidade e as interrupções que dão forma à escrita antes mesmo que ela se organizasse como palavra.

Nesse contexto, nos aproximamos da escrita assêmica como campo de investigação. Tratou-se de uma prática que suspendeu o sentido convencional da linguagem para explorar a escrita como desenho, como fluxo e como experiência visual e corporal. A escrita deixou de ser apenas veículo de significado e passou a ser território de experimentação, onde o gesto ganhou autonomia e presença.

Essa pesquisa ganhou ainda mais densidade, uma vez que o país escolhido neste ano foi a Argentina, onde encontramos uma referência fundamental: Mirtha Dermisache. Sua produção nos ofereceu um campo fértil para pensar a escrita como forma expandida, marcada por estruturas rigorosas e, ao mesmo tempo, por uma liberdade gestual que desafia a leitura tradicional. Dermisache construiu sistemas gráficos que pareciam legíveis, mas escapavam à decifração, tensionando justamente esse limite entre linguagem e imagem.

quem

E foi nesse contexto que a imersão aconteceu no Instituto Çarê, que se configurou como um espaço de troca, investigação e prática compartilhada. Os trabalhos se iniciaram com Cláudio Rocha, partindo do lápis e papel e da exploração de algumas famílias tipográficas como ponto de partida para a observação e construção do desenho da letra. Em seguida, o horizonte se expandiu para as técnicas de monotipia, conduzidas por Andrea Thomazella, e para as gravuras em Tetra Pak com uso de chine-collé, pelas mãos de Matheus Gonçalves. Com a Luciane Kunde fizemos nosso papel artesanal de fibra de bananeira que foi usado nas gravuras.

Os resultados foram reunidos por meio de encadernações que preservaram e valorizaram as gravuras, apresentando-as como uma série de pequenos quadros, conduzidas pelas mãos de Estela Vilela.

Assim, a imersão se desenvolveu como um percurso que atravessou o gesto, a escrita e o desenho, conectando prática e reflexão. Mais uma vez, os artistas puderam se encontrar presencialmente, trocar ideias e compartilhar técnicas, com os participantes de edições anteriores auxiliando os recém-chegados, enquanto estes traziam seus próprios repertórios, processos e investigações. Novas experiências e conexões se formaram, que certamente nos acompanharão ao longo desta jornada de vagar o mundo ao longo do ano.

Professores convidados na edição 2026

Luciane Kunde é artista, pesquisadora e educadora. É mestre em Artes Visuais e pesquisa o papel artesanal como recurso expressivo. Enxerga processo e matéria como elementos da criação artística. Desenvolve projetos artísticos autorais e ministra oficinas livres de papel artesanal. É professora da OPA (Oficina de papel artesanal) que acontece no Instituto de Artes, na Unicamp. É membro da IAPMA, associação mundial de artistas pesquisadores em papel.

@lukundeborges

Andrea Thomazella é artista visual, graduada na Universidade de São Paulo (1982), mestrado e doutorado em Poéticas Visuais pelo Instituto de Artes da Universidade de Campinas, SP, (2015, 2022). Desenvolve pesquisas com livros de artista, pintura, desenho e gravura.

@andreathomazella

Claudio Rocha (A.K.A. Active Principle), é um artista visual terráqueo, envolvido com a arqueologia de imagens e seduzido pelas cores, pela computação gráfica e, naturalmente, pelo acaso… Aparentemente, sua curiosidade não tem limites formais, figurando o mundo de maneira sutilmente abstrata, mas apenas quando consegue abstrair a concretude das figuras. A partir de um contato inevitável com o inconsciente coletivo, expõe suas sensações por meio de criações deliberadamente evocativas.

@claudiorocha_activeprinciple

Matheus Gonçalves é artista visual e historiador nascido em São Paulo. Sua prática artística transita entre desenho, gravura, pintura e livros de artista, explorando relações entre arte, política e memória. Através do projeto Blocco Storico, investiga formas de refletir sobre o futuro com técnicas gráficas de reprodução de imagens.

@bloccostorico

um pouco mais sobre a imersão 2026

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